Está apertado aqui, está meio escuro, não estou conseguindo enxergar... Onde está, não, não volte, por favor, volte. Estou com medo, muito medo, meu coração está batendo forte, forte, forte... Estou ouvindo uma voz de dor, mas de satisfação. Não estou entendendo, escoou, para onde foi? Estou com frio, muito frio, onde está meu manto, úmido manto. E num repente uma luz, que luz é essa, não, não, não, meu olhos estão doendo. Para onde estão me levando, quem são vocês? O que estou fazendo aqui... Tirem-me daqui? Socorro! Não! Soltem-me, me tirem daqui, por favor, eu quero meu lar, quero minha vida, quero meu estar! O que eu fiz? Por que estão me batendo? Por que mereço apanhar, mereço sofrer? O que te fiz? Ó não a vida, está mudando, ó não estou gritando, por favor ... Pare, pare, não quero conhecer, não quero ter ciência... Não quero apanhar... Não quero sofrer... Não quero chorar por ninguém a não ser eu mesmo como tenho chorado, não quero amar nada, não quero amar ninguém, não quero sentir falta, não quero ter medo e não receber abraço... Eu quero somente o braço, do aço do meu carrinho de bebê. Eu não quero crescer, crescer é sofrer, é aprender que ser criança não é um sofrimento inicial, ser criança é sofrer, mas crescer e saber que não se pode ser e ter tudo que almeja, é morrer... Eu quero te abraçar por dentro mãe e nunca mais sair daqui!

